Irei abordar
inicialmente alguns aspectos importantes para esta reflexão, no final se eu
conseguir, me arriscarei em alguma conclusão, mas não crie expectativas (risos).
Conhecimento
e Devir
Toda vez que
tentamos conhecer algo, seja uma pessoa, um objeto, uma informação, é preciso
que a dúvida nos paire a mente e nos ponha na seguinte reflexão. O que
exatamente eu conheço disto?
Eu tenho uma
leve impressão de que está pergunta nos causa desconforto, pois se tivermos bom
senso, podemos observar que só conhecemos estritamente o que as coisas e as ciências
nos permitem conhecer delas, quando paramos e pensamos nas milhares de coisas
que ainda não foram descobertas, nossa ideia de verdade fica reduzida a nada,
pois outras verdades tornam várias verdades anteriores em mentiras. Logo
verdade não é algo tão confiável assim, a verdade é uma das condições do
conhecimento, para acreditarmos que algo é conhecido, precisamos acreditar na
verdade dela, até mesmo em um conto fictício você precisa crer que sabe que se
trata de uma ficção o conto em questão, isto é, acredita que sabe sobre o
conto, acredita na verdade do conhecimento do conto.
Precisamos
considerar um ato que se opõe a ideia de conhecimento, o tempo, ele é o transformador
de toda verdade, talvez ele seja também a única verdade incontestável, o devir
(por vir, tempo, movimento transformador) é devastador ao conhecimento, na
mesma medida que ele nos trás novos conhecimentos, ele leva vários
conhecimentos que um dia tivemos, podemos usar como exemplo, a terra ser plana,
coisas que Deus deixou de ser o causador, ou até mesmo podemos falar sobre a
certeza inexorável da existência divina
Portanto
podemos entender que, o devir como causador de toda transformação, também
transforma verdades, logo a ideia de conhecimento se torna falha.
Estética
Como Extensão da Percepção Sensorial
Tudo que
vemos, ouvimos, cheiramos, sentimos, mexem com nosso pensamento, como uma
engrenagem tudo em sintonia, se por um acaso tivéssemos outros 4 ou 8 sentidos,
nossa percepção do mundo certamente seria outra, Isto é, conhecemos do mundo o
que nossos sentidos nos deixam conhecer atrelado a nossa ideia do que é
conhecido. Portanto todo mundo estético é perfeitamente uma concepção íntima,
conhecer o mundo, para mim, me sugere a ideia de que o mundo, o tempo o
conhecimento, possuem inicio, meio e fim, apenas assim algo pode ser conhecido
na sua variabilidade. A partir disto, podemos entender também que estética e
sentidos são apenas reflexos de uma consciência que demasiadamente encaixa tudo
que percebe a uma ideia de verdade de algo verdadeiramente conhecido na sua complexidade.
Eu a Partir
de Mim
Quem sou eu?
Não sei. Sou o que minha consciência pensa que sou, pois afinal eu posso saber
o que eu penso, então tudo que pode ser conhecido sobre mim, eu sou o primeiro
e único a saber.
Quem é o
outro? Uma mera ideia de minha percepção sensorial atrelada a minha consciência,
portanto uma ilusão, ou na melhor das hipóteses, algo que jamais poderei
realmente conhecer, pois não controlo o tempo, tudo se transforma o individuo
também, portanto é impossível conceber qualquer verdade sobre o outro, logo não
o conheço e é absolutamente impossível.
Como o Outro
me Vê e Valores
Se pensarmos
de por outro ângulo, podemos perceber que podemos nos conhecer a partir do
outro, pois o outro encaixado no devir, emiti o que ele vê e compreende no
exato momento, sabemos que somos gordos ou magros, pelo fato de nos compararmos
aos outros, o outro sempre serve de parâmetro para que nós possamos ter informações
a nosso próprio respeito. Podemos observar que os valores, respeito, altruísmo,
bondade, maldade, amor, justiça, igualdade, todos eles remetem ao coletivo, a
algo que foge do individual. A partir desta percepção é fácil compreender que
nada podemos ser, nem bons, nem ruins, sem que a premissa disto tudo, seja a
perspectiva alheia de você.
Conclusão
É claro que
não se conclui uma questão deste nível, aliás como vimos, nada é realmente
concluído, nada é verdadeiramente conhecido na sua amplitude existencial. Eu em
particular acho os dois pontos de vista rigorosamente coerentes, porém acredito
que são respostas diferentes, para uma questão parecida, mas não igual.
Pensando a
partir da ideia de que eu não posso conhecer o outro, eu sou obrigado a
entender que não posso afirmar que outro não me conhece. O conhecimento é a ilusão da consciência,
geralmente estamos demasiados a crer em coisas nas quais nos são convenientes,
portanto exercitar nosso poder de cogito, aplicar ele a nós mesmos, nos faz uma
pessoa menos iludida com as verdades provisórias que o mundo nos dá, isto
implica numa antevisão maior para sua vida, a duvida é o desconforto de pensar,
por vezes pensar neste outro ser que se opõe ao você, é um exercício no qual
você passa a conhecer a si próprio. Se você optar por conhecer a si próprio
terá uma capacidade empática maior, pois talvez por que não, sejamos todos
iguais, frutos de acasos de toda sorte que nos impactam e nos modificam. É preciso ter consciência que existem outras consciências
e ao mesmo tempo ter a maestria de encaixar a nossa própria neste vendaval de
motivações e pensamentos que é o viver..
Escolha seu
ponto de partida, só não se pode ficar parado.
Willian
Peres
Grato por
ter lido J
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