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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

O Outro e Eu. Quem Somos?


 Olá queridos leitores e amigos, primeiramente gostaria de agradecer as MIL curtidas na página, prometo escrever um texto sobre isto, mas hoje me aposso de suas mentes para pensarmos uma questão que parece simples, porém é muito mais complexa do que nos parece, como conhecemos o outro? O outro é capaz de nos conhecer?

Irei abordar inicialmente alguns aspectos importantes para esta reflexão, no final se eu conseguir, me arriscarei em alguma conclusão, mas não crie expectativas (risos).  

Conhecimento e Devir

Toda vez que tentamos conhecer algo, seja uma pessoa, um objeto, uma informação, é preciso que a dúvida nos paire a mente e nos ponha na seguinte reflexão. O que exatamente eu conheço disto?
Eu tenho uma leve impressão de que está pergunta nos causa desconforto, pois se tivermos bom senso, podemos observar que só conhecemos estritamente o que as coisas e as ciências nos permitem conhecer delas, quando paramos e pensamos nas milhares de coisas que ainda não foram descobertas, nossa ideia de verdade fica reduzida a nada, pois outras verdades tornam várias verdades anteriores em mentiras. Logo verdade não é algo tão confiável assim, a verdade é uma das condições do conhecimento, para acreditarmos que algo é conhecido, precisamos acreditar na verdade dela, até mesmo em um conto fictício você precisa crer que sabe que se trata de uma ficção o conto em questão, isto é, acredita que sabe sobre o conto, acredita na verdade do conhecimento do conto.

Precisamos considerar um ato que se opõe a ideia de conhecimento, o tempo, ele é o transformador de toda verdade, talvez ele seja também a única verdade incontestável, o devir (por vir, tempo, movimento transformador) é devastador ao conhecimento, na mesma medida que ele nos trás novos conhecimentos, ele leva vários conhecimentos que um dia tivemos, podemos usar como exemplo, a terra ser plana, coisas que Deus deixou de ser o causador, ou até mesmo podemos falar sobre a certeza inexorável da existência divina

Portanto podemos entender que, o devir como causador de toda transformação, também transforma verdades, logo a ideia de conhecimento se torna falha.


Estética Como Extensão da Percepção Sensorial

Tudo que vemos, ouvimos, cheiramos, sentimos, mexem com nosso pensamento, como uma engrenagem tudo em sintonia, se por um acaso tivéssemos outros 4 ou 8 sentidos, nossa percepção do mundo certamente seria outra, Isto é, conhecemos do mundo o que nossos sentidos nos deixam conhecer atrelado a nossa ideia do que é conhecido. Portanto todo mundo estético é perfeitamente uma concepção íntima, conhecer o mundo, para mim, me sugere a ideia de que o mundo, o tempo o conhecimento, possuem inicio, meio e fim, apenas assim algo pode ser conhecido na sua variabilidade. A partir disto, podemos entender também que estética e sentidos são apenas reflexos de uma consciência que demasiadamente encaixa tudo que percebe a uma ideia de verdade de algo verdadeiramente conhecido na sua complexidade.

Eu a Partir de Mim

Quem sou eu? Não sei. Sou o que minha consciência pensa que sou, pois afinal eu posso saber o que eu penso, então tudo que pode ser conhecido sobre mim, eu sou o primeiro e único a saber.
Quem é o outro? Uma mera ideia de minha percepção sensorial atrelada a minha consciência, portanto uma ilusão, ou na melhor das hipóteses, algo que jamais poderei realmente conhecer, pois não controlo o tempo, tudo se transforma o individuo também, portanto é impossível conceber qualquer verdade sobre o outro, logo não o conheço e é absolutamente impossível.

Como o Outro me Vê e Valores

Se pensarmos de por outro ângulo, podemos perceber que podemos nos conhecer a partir do outro, pois o outro encaixado no devir, emiti o que ele vê e compreende no exato momento, sabemos que somos gordos ou magros, pelo fato de nos compararmos aos outros, o outro sempre serve de parâmetro para que nós possamos ter informações a nosso próprio respeito. Podemos observar que os valores, respeito, altruísmo, bondade, maldade, amor, justiça, igualdade, todos eles remetem ao coletivo, a algo que foge do individual. A partir desta percepção é fácil compreender que nada podemos ser, nem bons, nem ruins, sem que a premissa disto tudo, seja a perspectiva alheia de você.


Conclusão

É claro que não se conclui uma questão deste nível, aliás como vimos, nada é realmente concluído, nada é verdadeiramente conhecido na sua amplitude existencial. Eu em particular acho os dois pontos de vista rigorosamente coerentes, porém acredito que são respostas diferentes, para uma questão parecida, mas não igual.

Pensando a partir da ideia de que eu não posso conhecer o outro, eu sou obrigado a entender que não posso afirmar que outro não me conhece.  O conhecimento é a ilusão da consciência, geralmente estamos demasiados a crer em coisas nas quais nos são convenientes, portanto exercitar nosso poder de cogito, aplicar ele a nós mesmos, nos faz uma pessoa menos iludida com as verdades provisórias que o mundo nos dá, isto implica numa antevisão maior para sua vida, a duvida é o desconforto de pensar, por vezes pensar neste outro ser que se opõe ao você, é um exercício no qual você passa a conhecer a si próprio. Se você optar por conhecer a si próprio terá uma capacidade empática maior, pois talvez por que não, sejamos todos iguais, frutos de acasos de toda sorte que nos impactam e nos modificam.  É preciso ter consciência que existem outras consciências e ao mesmo tempo ter a maestria de encaixar a nossa própria neste vendaval de motivações e pensamentos que é o viver..

Escolha seu ponto de partida, só não se pode ficar parado.


Willian Peres

Grato por ter lido J
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